Podemos começar. Duas raparigas estão sentadas, dois rapazes dividem-se pela sala: um caminha ansiosamente à volta das sentadas, o outro procura a gravata ideal no meio de um monte delas, desarrumadas, no chão. Parece alongar-se no tempo então alguém pergunta se demora. Calma, é o nosso funeral, não podemos ir de qualquer maneira. Levo vestido ou saia? Ele lembra-me que a minha mãe não iria gostar que eu fosse de vestido. Recordo-me porquê? Afinal porque estamos ali? Ah, já sei, uma de nós não consegue sair da cadeira, está presa, talvez tenha morrido atada. Terá? Certo é que, aquela que não sabe se leva vestido ou saia, não consegue ler e agora está revoltada porque os olhos já não lêem, o outro continua a escolher a roupa para o seu funeral, a outra continua sentada e o outro lamenta-se por nunca ter usado gravata: como teria sido possível em 20 nunca ter usado gravata?