domingo, 8 de abril de 2012

gaveta

Estive a vasculhar coisas antigas. Encontrei perdidas na gaveta uma série de recordações que são para estar onde estão: lá, bem no fundo. Lembraram-me os tempos em que a minha altura era mínima, em que os sonhos começavam a ser grandes, em que andava na escola a aprender matemática e estudo do meio, em que usava uma mochila às costas pesada cheia de livros e cadernos. A mochila era azul e tinha letrinhas espalhadas e era tão, tão grande! Às vezes imagino esta fotografia: eu, pequena, de vestido e collants brancos, a ir para a escola de mão dada com a minha mãe, a mala às costas, maior que eu, e só se veria os pés e o cabelo curtinho com gancho de lado. Mas todas estas recordações vieram-me da tristeza (ou revolta?) de teres feito parte da minha vida. Não suporto o facto de teres estado aqui e agora teres desaparecido. Teres-me feito pensar que ficarias aqui para sempre e afinal, afinal... És o que eu sei. Uma desilusão. Não quero saber das prendas que todos os anos tentas oferecer pelo Natal, nem dos falsos arrependimentos, nem das tuas palavras mansas cheias de falsidade. Graças a ti, ao que fizeste, é-me quase impossível acreditar que as pessoas ficarão aqui para sempre. Graças a ti, andei perdida no meio de confusões que tiraram um pedaço grande da minha vida, dos meus sonhos. Graças a ti, não consigo acreditar que as pessoas mudam. E é somente graças a ti que não te perdoo.