terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

repetições ao relento

O comboio há de passar, repito-me baixinho, à espera que a voz ganhe um tom diferente e ausente como aquele a que me habituaste. Há-de passar, meu amor. Falta pouco. Pouco para deixar os caminhos por percorrer, a estrada ali à espera de ser pisada. Vou e aqui fica tudo. Não vale a pena levar nada quando se abandona. Não levo. Ah, chega quando? Posso partir agora? 

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

falhas

Viras costas. Aproveito o momento para recompor a cara (sabes há quanto tempo quero chorar?), solto o cabelo, é melhor assim, consigo esconder o meu rosto atormentado, afasto-o dos teus olhos, das tuas costas que agora se voltam para mim. Despeço-me aos poucos, meu amor. Não consigo suportar o peso daquela fotografia em cima da mesa de cabeceira. É ela e não sou eu. Falha a força e desisto, meu amor. 

É isso, desisto.