Há pessoas que remedeiam palavras. Há foguetes que inventam lágrimas. Há mesas que sentam funcionários. Há marés que enchem toalhas. Há cabeças que apontam circuitos. Há rosas que têm asas. Há verdades que escolhem mentiras. Há rostos que têm olhos apagados. Há palavras que agravam solidões. Há gritos que servem a Pátria. Há certezas que anunciam histórias. Há portas que fecham gaiolas. Há gavetas que embrulham tempo. Há viagens que param perto de casa. Há intelectuais que salvam a inteligência. Há convicções que celebram autos-de-fé. Há crianças que morrem em redor da fogueira. Há calções que salvam a humanidade. Há ingénuos que dizem a verdade. Há quilómetros que obrigam a levantar. Há figuras que apalpam estátuas. Há moinhos que fabricam criados. Há males que são vitória, recheadas de carpideiras de mármore.
sábado, 26 de janeiro de 2013
O VIAJANTE: #2
Banham a pesada tristeza desta operação linguística que intriga as louças velhas quando uma voz dos jornais, harmoniosa e grave, colocada à entrada do jardim, de barriga ao ar, renuncia, quem me dirá porquê?, e diz: "D. Pedro entra sozinho nas medalhas onde o visitante repousa". E tens medo. Aproxima-se a negra sorte, esgrilando vontade de nos metermos na noite por causa de um acto em paz que se vai tornando em compassos e encorajando inimigas mortes. Decido por justaposição renunciar ao berço natal com que de novo dura a sorte em voz brincada. Para que ninguém inverte um caminho de fadas elegantes em expressão.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
O VIAJANTE: #1
Deserto. Sobre gestos que, em sobressalto céptico, autoriam um velho e pesado ferro, melhor instrumento, enquanto se autoriza a luz a almoçar na fronteira onde, depois, se levantará a consciência plantada por esta falta de Pietro ou qualquer socorro à porta de saída que me resta. É alto e agrava o incidente. Baixas pressões. Mesmo sentado, começa a fraternidade onde o estádio se congrega, e de hoje não passa: no fim de contas, para quem?, se não fosse o espírito forte, rebocariam os seus gestos, parecidos com palavras e festas prolongadas para dentro. Unhas cortadas, penso eu, e perdidas num destino qualquer com ignorância e verdade a fechar. Impossibilidade envergonhada.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
O AMANTE: #5
Mangas, descalça, títulos, dúvida, camarim, gangster, histórias, marfim, lugar, pergunta. Era impossível o motivo para assistir à cena diabólica e já muito velha. Não havia dúvida ou engano mas criar, lembras-te?, um "teatro de traduzir" no futuro e converter o meu pai em palavra e bebida. Oh!, obter uma vitória apenas, ou melhor, não dar feição à verdade.
sábado, 12 de janeiro de 2013
O AMANTE: #4
Devia ser igualmente débil a mão que abria a porta, aludindo a um automóvel perfeitamente aleatório a sair das prateleiras. Esse resto contava a respeito dela, a figura convencida que se interessava por rótulos. Protagonista da primeira perfeição, de pele tisnada e aparada. Agora ficarás nítida em marcha nupcial, aí tens, os olhos sobre o espelho do fundo-de-Gestapo, numa plateia sentada indivisível, achando palavras precisas de um álbum solicitado.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
O AMANTE: #3
Nem tudo segue as bandeiras que estão, em princípio, a crescer nos homens - palavra dócil e englobante. Na parte final, complica-se cada vez mais, num caso como o que acabou de sair. Pergunta pelo contrato, onde íamos nós?. Penso igualmente na história que respeita ao seu amigo, com a sua harpa de sombra e outros aspectos misteriosamente atirados para o chão. Tem sido fabricado em óculo carregado de diálogo traiçoeiro de um teatro de bolso, conseguiu com que, como?, num instante o homem tenha sido, por causa do nome, a última vida a entrar em casa.
domingo, 6 de janeiro de 2013
O AMANTE: #2
- Onde íamos nós?, pergunta Clara, aninhada. Seguidamente, inquire em tom de gracejo um carro americano, primeira edição. Passa no outro salientes noites que aludem aos pulsos atrás das costas. E em todo o corpo de Clara há contos incertos, reunindo até à cor do ébano um carro de sport esculpido em granito. Quando depois deste livro a mãe se transformar, a ponto de deixar a volubilidade, o público das fachadas, num gesto repetido e maxilares quadrados, abandonará os móveis estragados que até aí figuravam. As figuras morrerão com toda a certeza até aparecerem impressas, até te tornares, não esperando sequer, tão preciso, num delírio da debandada. Esse facto será, à tal pessoa, ainda em clima de terror, uma alavanca que acabará avidamente atulhada de lixo.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
O AMANTE: #1
A história tinha a ver com a de que há pouco foi posta à venda. Com certeza que, de olhos fechados, era antes um conjunto de teatros reduzidos conhecidos; mas, se essa pode ter o seu próprio camarim, encontra-se subjacente perguntar-te, mais uma vez, se era um grupo tão animado aquele que descia até à cave. Olho-te os beiços e repugna-te a sua utilização. Ficarás de longe, pormenorizando concretamente, para que admires a finura da viúva ao debruçar-se sobre o pescoço e, finalmente, na sua última pergunta, sorvendo a distância que permite que continues a narrar continências ridículas que há pouco não estavam aqui.
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