se algum dia quiseres voltar a esta casa e eu já não estiver à tua espera, não queiras saber de mim nem perguntes onde estou. há quem consiga voar e desaparecer para sempre. eu não sou assim, nem, convenhamos, nunca virei a ser. por isso, não me tentes sequer. deixa-me esconder, dá-me esse avanço, para que nunca mais tenha que voltar a ver-te.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
ir a Roma
A face baloiça ao ritmo do bater nervoso da sua perna esquerda. Enrola
as pontas do cabelo apanhado como se rodasse moedas de um cêntimo. Os seus
olhos assistem a um filme que fala de homens comandados por homens, quase
marionetas. Mas a sua cabeça já está longe. Está num lugar onde não existe
muito mais do que um chão de madeira e pequenas estrelas de felicidade. E por
mais que procure, ela não encontra espaço onde possa colocar o seu amor. Talvez
porque não o seja e esteja apenas a confundir o significado de uma palavra que,
recentemente, se tornara tão banal. É, o amor já lhe parecia uma junção de
letras ao acaso e, convenhamos, ridícula. Preferia, dizia muitas vezes, o seu
inverso. E ir a Roma.
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