quinta-feira, 5 de abril de 2012

Atlas

Foi precisamente há cerca de cinco meses que me meti naquela aventura. No cartaz pediam pessoas de todas as profissões, com ou sem experiência em palco. Enviava-se um e-mail com uma espécie de carta de motivação e currículo e aguardava-se resposta. Passadas umas semanas, recebi a feliz notícia que tinha sido aceite. Começaram então os ensaios no espaço Alkantara, o calor abrasador do fim de Verão a bater nas ruas barulhentas de Santos. Os ensaios eram duas vezes por semana e, a cada dia, conhecia-se pessoas novas. O velho pastor, que me deu uma fotografia sua no seu atelier de trabalho, o enfermeiro, que mais tarde reencontrei no S. Luiz e várias outras vezes pela rua, o jornalista que havia sido da minha Faculdade, o actor que agora vendia gelados, e por aí fora. O espectáculo começava a montar-se e os nervos cresciam com o aproximar da estreia no Teatro Maria Matos. Veio o ensaio geral, a televisão, as entrevistas, a descoberta dos camarins, a primeira entrada pela Porta dos Artistas, o passe de livre circulação no Teatro. Veio a estreia, as palmas, as flores. O jantar de despedida, o brinde e a lágrima fugitiva no canto do olho. E agora, veio-me tudo isto, em forma de lembrança bonita.

Afinal, se um incomoda muita gente, 100 incomodam muito mais.