domingo, 27 de maio de 2012

SF

- Houve motins, Simão. Houve motins. Não viste na televisão quando não foste trabalhar? Não saíste à rua?
- Talvez sim, não me lembro.
- Não te lembras?

(...)

- Mas isso não te assusta?
- A minha vida toda foi um motim.

em Overdrama

sexta-feira, 18 de maio de 2012

alkantara festival



Encomenda e produção Ciudades Paralelas (coprodução HAU e Schauspielhaus Zürich em colaboração com Goethe-Institut Warschau, Teatr Nowy e fundação Teatr Nowy; financiamento de Kulturstiftung des Bundes, Pro Helvetia e Goethe Institut de Buenos Aires)
Coprodução Kunstencentrum Vooruit
Produção artística Katja Timmerberg
Coprodução da versão portuguesa Culturgest
Estreia Ciudades Paralelas, outubro de 2010, Berlim

           
The Quiet Volume é um espetáculo sussurrado, autogerado e “automático” (Autoteatro) para duas pessoas de cada vez, explorando a tensão particular que se encontra em qualquer biblioteca; uma combinação de silêncio e concentração dentro da qual se desenrolam experiências de leitura diferentes para cada um.

Dois espectadores / participantes sentam-se lado a lado. Recebendo deixas de palavras escritas ou sussurradas, dão por si a abrir um caminho improvável por entre uma pilha de livros. A peça expõe a magia estranha que está no centro da experiência de leitura, deixando que os mecanismos que julgamos internos se debrucem sobre o espaço envolvente, abrindo porosidades entre a esfera de um e outro leitor.

Local: Biblioteca Nacional (Lisboa)
Duração: 50 min

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Hoje saiu de casa com as sandálias e o roupão
Como é costume com dinheiro, com cigarros
Lá foi passear o cão, são como irmãos
Oiça é bem capaz de ser engano, veja bem!

Éramos dois e só os dois
Sem mais ninguém no mundo
Deus sabe quantas aflições
Mas quem me vem dizer agora
Que ele sofre que ele chora
Sem motivos, sem razões?

em Ele é que não, JP Simões

domingo, 13 de maio de 2012

Zeca Afonso

(...)

Foi sempre tua figura
Tubarão de mil aparas
Deixas tudo à dependura
Quando na presa reparas

Das eleições acabadas
Do resultado previsto
Saiu o que tendes visto
Muitas obras embargadas

Mas não por vontade própria
Porque a luta continua
Pois é dele a sua história
E o povo saiu à rua

Mandadores de alta finança
Fazem tudo andar para trás
Dizem que o mundo só anda
Tendo à frente um capataz

Eram mulheres e crianças
Cada um com o seu tijolo
Isto aqui era uma orquestra
Que diz o contrário é tolo

E toca de papelada
No vaivém dos ministérios
Mas hão-de fugir aos berros
Inda a banda vai na estrada.


em Os Índios da Meia Praia

quarta-feira, 9 de maio de 2012

a recordar os quinze anos

O IPO (Instituto Português de Oncologia) está a angariar filmes VHS ou DVD's para os doentes da unidade de transplantes que estão em isolamento.

São crianças e adultos que precisam de um transplante de medula e de estar ocupados durante o tempo de internamento, explicou ao Portugal Diário a Enfermeira responsável pela unidade, Elsa Oliveira. A falta de "stocks" torna necessária a ajuda da população. "Precisamos de filmes para as pessoas mais desfavorecidas que não têm possibilidade de os trazer. Algumas crianças trazem os seus próprios filmes e brinquedos mas depois quando têm alta levam-nos", acrescenta.
 
O IPO aceita todos os géneros de filmes, mas a preferência vai para a comédia.
 

As cassetes de vídeo ou DVD's podem ser enviadas para:

Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil
Unidade de Transplante de Medula
A/C Sr.ª Enf. Elsa Oliveira
Rua Professor Lima Basto 1070 Lisboa
Ou então, informe-se pelo telefone:
217 229 800
217 229 800
217 229 800
217 229 800
 
 
 

terça-feira, 8 de maio de 2012

"now and then I think of when we were together; like when you said you felt so happy you could die; told myself that you were right for me but felt so lonely in your company but that was love and it's an ache I still remember.

you didn't have to cut me off, make out like it never happened and that we were nothing and I don't even need your love but you treat me like a stranger and I feel so rough."

domingo, 6 de maio de 2012

a Queima das Fitas e a "tradição académica" -
entrevista da Mais Superior a João Curvêlo


Por que é que não vais à Queima das Fitas? Que valores vês associados a ela com os quais não te identificas?
A Queima das Fitas é um dos vários momentos de um processo mais alargado. Este processo começa logo quando os estudantes chegam à universidade, com o ritual da praxe. Ou seja, começa mal logo desde o início. Há muita gente que diz que a praxe é uma forma de integração e, no caso da minha faculdade, até temos um reitor que acha que a praxe é um mal necessário. Na verdade, a praxe não integra coisa nenhuma e muito menos é necessária. É simplesmente uma forma de anular o pensamento crítico e de reproduzir uma série de valores que deviam ter ficado no passado: o machismo, a homofobia, o conservadorismo das mais variadas formas, a hierarquização das pessoas sem razão nenhuma. O preconceito em relação a tudo o que é diferente, portanto.

Sentes alguma espécie de pressão de outros estudantes para ir e para viver a “tradição académica”? Achas que existe essa pressão?
A pressão acontece todos os dias e de várias formas. Desde logo, há pressões evidentes e vários casos de violência têm chegado aos tribunais. Em alguns casos, tem mesmo havido condenações e atuação judicial sobre o agressores. Para além desses casos mais mediáticos, acredito que haja muitas pessoas que não denunciam por medo ou receio de represálias. E há a ideia de que, se não fores à praxe e não seguires os rituais da “tradição académica”, nunca terás amigos na faculdade. Isto é absurdo: as pessoas também tinham amigos antes de haver esta coisa da “tradição académica”. E vão continuar a ter quando finalmente isto passar. Mas há um outro tipo de pressões, mais perigosas porque mais silenciosas, que estão relacionadas com a própria imagem da universidade que foi sendo construída. É sempre reproduzida uma imagem única da universidade, como se não houvesse espaço para a diversidade e para as pessoas poderem ser quem são. Se pensares bem na própria iconografia associada à universidade, vês que a imagem de um estudante que nos vem à cabeça é um tipo vestido de preto e com um canudo na mão… Isto também tem um peso enorme e cria referências. E estas referências são-nos impostas todos os dias, não resultam da vivência dos estudantes.

Se o cartaz te agradar e os teus amigos quiserem ir, reconsideras ou não vais mesmo? É que, convenhamos que há Semanas Académicas que podiam ser um festival normal…
Tens razão. Há Semanas Académicas que quase parecem ser festivais normais, e isso também devia merecer alguma reflexão. A universidade não devia ser antes um espaço alternativo à lógica do mercado que domina os festivais? Não tenho nada contra o facto de as pessoas se divertirem, bem pelo contrário. Acho é que as universidades devem ser espaços onde as pessoas experimentam coisas diferentes – para a lógica mercantilista, já nos chega o resto da sociedade.

Como é que explicas que haja faculdades, provavelmente não a tua, que dão tolerância ou mesmo pausas letivas para o período da Semana Académica? Até que ponto é que isso não marca a vida de um estudante?
Acho que há faculdades se preocupam mais com as Semanas Académicas do que com os estudantes. Aliás, para ser estudante é preciso pagar e, muitas vezes, hipotecar o futuro: se houvesse mais preocupação em garantir que os estudantes continuam a sê-lo, se houvesse ação social para os que precisam, não haveria certamente tanta gente a desistir do ensino superior.

Achas que este tipo de iniciativas baixa, ou prejudica, a produtividade dos alunos do ensino superior?
Acho que é indiferente. Não tenho um discurso conservador, não sou daquelas pessoas que dizem que a universidade é um espaço só para estudar. Um bom aluno aprende tanto nas aulas como fora delas. E ainda bem que é assim. Acho que é preciso reinventar o sentido da universidade, e acrescentar-lhe pensamento crítico. Agora, tudo isto só faz sentido se for feito em liberdade e com liberdade. Ou seja, é exatamente o contrário das “tradições” que nos condicionam.





2 de maio de 2012

há quem não atravesse sequer a estrada.

sábado, 5 de maio de 2012

um poema de Clara Fontanet

Avui tenc el cor
com un pou de fa anys.
Ja no creixen verdors en ell
i crec que, lentament, he anat ofegant
ocells ferits,
fins a deixar l'aigua més vermella.



(Hoje tenho o coração
como um poço de há anos.
Já não crescem verdores nele
e acho que, lentamente, fui afogando
pássaros feridos,
até deixar a água mais vermelha.)
enquanto este amor for incompleto, será sempre romântico.

stay out of trouble



Passar pela Feira, rodeada de livros, e ficar com os kings no ouvido o resto do dia.