quarta-feira, 29 de agosto de 2012

prazo de validade

Já não o sinto por aqui. As palavras já não trazem o seu nome, a roupa já não me traz fantasmas longínquos.  Foste para um lugar bem longe daqui, não te consigo ver nem cheirar. Apenas esta voz, nestas canções gastas de lágrimas, me recordam tempos passados. Mas descansa, até essas vou apagar.  

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Os dias não dão corda aos sonhos. Ao menos houvesse uma caixa de música sem bailarina onde pudesse encaixar.
inscrições para o Indie Lisboa estão aí. que me venha a inspiração.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Dear Clementine,

I'm really sorry you're sick, but I'm not sorry you're my girlfriend. It's the worst being alone on Valentine's Day. But, I'm thinking about you right now, I'm thinking about holding hands with you and jumping on a trampoline together. :) I love you. 

And P.S. I don't care who gave who lice. I'm just glad we both had it together. :)

Love,
Nico

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

no tempo em que as pernas corriam mais que os sonhos

Houve um tempo em que as pernas corriam mais que os sonhos. Éramos crianças, quase jovens, e o tempo passava devagar dentro das quatro paredes de uma sala de aula riscada de grafitis, de promessas de amor eterno, de desenhos de corações em volta de dois nomes que toda a escola conhecia. O corpo não pesava, a cara não carregava rugas e era tudo tão cedo, tão no início. Havia sonhos, sim. Mas não como agora. Talvez porque o que tínhamos bastava e era tão bom assim. As promessas de adultos ficavam para um dia mais tarde, muito mais tarde, quando já não fossemos daquela escola, quando os horários fossem outros, quando os amigos daquela sala, no momento tão próximos, aos poucos se afastassem e se tornassem em meras recordações de um passado feliz que agora me custa a acreditar que existiu. Talvez todos nós sintamos inveja de nós próprios, das pessoas que éramos naquele tempo. Ou eu, pelo menos. 


15-08-2012

sábado, 11 de agosto de 2012

A primeira vez que fomos ao cinema juntos. À hora marcada lá estavas, já tinhas os bilhetes e foi estranho ver-te fora do contexto a que estávamos habituados. Já tinhas visto o filme, era o teu filme preferido dos últimos tempos. Já o tinhas visto e querias revê-lo comigo porque, para ti, fazia todo o sentido. Era a história de um rapaz obcecado por funerais e uma jovem no fim da vida. Era uma história de amizade que se transformava em amor. Ou um amor que se transformava também em amizade. Como o nosso. O filme assistiu ao nosso início e foi muito bonito termos o nosso amor numa tela de cinema. Talvez não viveremos felizes para sempre, se calhar já não veremos mais filmes juntos nem trocaremos bilhetes à entrada da Faculdade, nem elaboremos um esquema para viver na floresta. Mas os filmes duram para sempre, isso eu sei. E essa é a única certeza que te posso dar.

qualquer coisa assim

Parece que se passaram mais de vinte anos desde aquela tarde. Os nossos corpos envelheceram e já não são os mesmos. Ganharam buracos e não têm força para metade das coisas que fazíamos. Fossemos ao menos crianças outra vez a brincar no parque.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

- Há muito tempo que não vens aqui.
- É, tenho andado meia perdida.
- Então?
- Diz-me tu.

amor em vasos

O dia tinha-se passado bem, sem grandes sobressaltos. Era já fim de tarde quando ela decidiu falar-lhe naquilo. Sabia que ia despontar uma tempestade depois disso mas também sabia que aquele silêncio de paz queria dizer muita coisa, e nenhuma coisa era parecida com felicidade. Às tantas, ele pede-lhe distância, pede-lhe que o deixe habituar-se a não tê-la, a ter a vida de antes. Ela não responde ao que ele quer e já nem se lembra do porquê de ter começado a falar daquilo. Afinal, pode-se viver sem falar das coisas. À porta de casa ela tem um vaso. Ontem colocou lá hortelã, juntamente com as memórias do seu último amor.