25 de outubro.
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
correm alto na rua
Os carros corem alto na rua ingrime. A mesa para cinco ocupada só por dois corpos. 30 anos nos separam. Pai e filha. E aguardamos a chegada de quem perdemos, de quem já não volta. Vivemos à tua espera.
domingo, 20 de outubro de 2013
não.
O que eu te tenho traz calor ao profundo ar gélido onde aterrei um dia o meu corpo. Dizes-me ao ouvido "és bonita" e eu peço, baixinho, "não me deixes agora".
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
1
Percorro o teu corpo com os dedos engelhados. Não sei há quanto tempo oiço estes gritos de rapariguinha. Atiro para fora os golpes de dor infligidos, dispo as raças submersas em solidão e, finalmente, acordo e abraço-te como um chicote hirto. Recebes-me em excesso, dilatas os meus olhos e abandono-te, na insegurança das certezas, na firmeza da eterna dúvida.
Cruzando o Marquês
Quem nos visse cruzar o Marquês teria com certeza inveja de nós. Veriam o grande aeródromo onde descansam os nossos corpos, os tocadores de tambor incluiriam nos seus versos carrilhões de vento inspirados nos nossos beijos. Atravesso contigo a passadeira e do vermelho e prata que nos chega dos sinais, agarras-me pela mão e conduzes os olhos ao céu. De repente, nulo a beleza e acordo. O meu rosto enrubescido está agora na Avenida 65, a casa, a nossa casa. Oculto-te os diabos instalados nos meus ombros, lanço-te um olhar convidativo e caminhamos, até desaparecermos na tarefa palpitante de ficarmos sós. Na esfera pesada do encontro. Na impossibilidade de um futuro a céu aberto.
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