tão difícil abrir os olhos, mamã. quero descer as escadas da casa e encontrar-te no sofá, enroscada pela madrugada que se faz já tarde para quem mora longe. o teu olho a espreitar quando faço uma festinha no teu corpo, na esperança que estejas acordada e soltes aquele teu sorriso para mim, ao qual eu respondia com outro, não tao bonito quanto o teu. preparo-te as torradas (ou queres que seja a minha irmã a fazê-lo?, sei que preferes as dela) e o café com bastante açúcar. faço-te companhia enquanto como os meus cereais de mel e olho-te e quero fixar aquela imagem para sempre: tu, sempre tão linda. quando a hora de apanhar o autocarro chega, sou outra vez a menina que saía contigo pela mão, com uma mala azul às costas maior que eu, carregada de livros, letras, cores e tantos tantos sonhos. não, não esqueço o lanche, mamã. volto daqui a umas horas, volto para junto de ti. já falta pouco.
julho 2013