Vejo o teu corpo repousado na minha cama. Há um movimento rotineiro que faz deambular este cobertor gasto e lembra-me os anos passados que ainda hão-de vir. A respiração ofegante habituada a quase trinta anos de tabaco não esconde o tremor do teu corpo quando sente as minhas mãos aproximarem-se no escuro que nos envolve noites a fio neste lugar. As tuas costas trazem-me aqueles muros altos que esperamos encontrar nos sonhos de precipícios; agarro-as, é sítio onde me agarrar, onde pousar a minha cabeça tombada para o lado perdido onde não encontro bóia.