quarta-feira, 15 de agosto de 2012

no tempo em que as pernas corriam mais que os sonhos

Houve um tempo em que as pernas corriam mais que os sonhos. Éramos crianças, quase jovens, e o tempo passava devagar dentro das quatro paredes de uma sala de aula riscada de grafitis, de promessas de amor eterno, de desenhos de corações em volta de dois nomes que toda a escola conhecia. O corpo não pesava, a cara não carregava rugas e era tudo tão cedo, tão no início. Havia sonhos, sim. Mas não como agora. Talvez porque o que tínhamos bastava e era tão bom assim. As promessas de adultos ficavam para um dia mais tarde, muito mais tarde, quando já não fossemos daquela escola, quando os horários fossem outros, quando os amigos daquela sala, no momento tão próximos, aos poucos se afastassem e se tornassem em meras recordações de um passado feliz que agora me custa a acreditar que existiu. Talvez todos nós sintamos inveja de nós próprios, das pessoas que éramos naquele tempo. Ou eu, pelo menos. 


15-08-2012