O dia tinha-se passado bem, sem grandes sobressaltos. Era já fim de tarde quando ela decidiu falar-lhe naquilo. Sabia que ia despontar uma tempestade depois disso mas também sabia que aquele silêncio de paz queria dizer muita coisa, e nenhuma coisa era parecida com felicidade. Às tantas, ele pede-lhe distância, pede-lhe que o deixe habituar-se a não tê-la, a ter a vida de antes. Ela não responde ao que ele quer e já nem se lembra do porquê de ter começado a falar daquilo. Afinal, pode-se viver sem falar das coisas. À porta de casa ela tem um vaso. Ontem colocou lá hortelã, juntamente com as memórias do seu último amor.