Olho a tua cara de perfil. Tens os olhos atentos num jogo
qualquer que passa na televisão. Na boca, o cigarro, que provoca uma expressão
confusa embaraçada pelo fumo nos olhos. O cabelo preto tenta disfarçar o
desgaste dos anos, o casaco azul, o mesmo daquela tarde de Setembro. A tua boca
recorda-me um campo cheio de flores redondas, aperta o charro e espera os meus
beijos. A voz, a tua voz. Larga o jogo e vem comigo para casa, faz tanto tempo
que não te encontro na minha cama a meio da noite. Sinto falta de acordar e
sentir o teu corpo frio na insistência do destapar, do envolver do lençol. Onde
está a tua cara a olhar para a minha? Os teus pés que roçam nos meus, o teu
cheio a tabaco, a cansaço do dia e espera pelo amor nocturno. Onde estás? Fica só
mais um pouco.