Numa sala escura, dois corpos se juntam criando luz. Há preferências, dúvidas e ele pensa nos costumes, o que estará certo ou errado, o normal ou, por outro lado, "o estranho". Ela é educada, firme, intocável. Ele carrega ligaduras nos pulsos. O suicídio não correu bem e leva agora os dias que, entretanto, perderam a corrida. É isso. Os dias chegaram tarde, não saíram da meta sequer. "Não chegaram a correr", diz-lhe.
Confias em mim? O que há para não confiar? Afinal, acabamos de nos conhecer. Quantas mais vezes nos veremos? Duas? Sete? Nunca mais? Não sabes, nem eu. Mas se dissermos as coisas ao contrário, talvez elas ganhem novo significado. Ou não?
Assinemos um contrato. Sim, aSSinemos. Tão giro, não é? Um S que não vive sem o outro S. Reparo nisto e vem-me à ideia do meu abcedário. Perdi-o. Não tenho o meu S, nem o meu C, nem o meu A. As letras perderam-se no caminho que eu desgastei com as horas incertas, com o medo de ganhar, com o medo de escolher.
Vamos arrancas asas às moscas? Falo a sério. É um passatempo que me seduz. Tu sabes que eu sou diferente. Gosto disto. Da dor. Sou Anormal, eu sei. Tal como sei que achas que viver é chato, cansa não é? De repente, podemos pôr fim a tudo. E porque não pomos? Porque não acabamos já com isto?
Estás fodido. F O D I D O. Vá, diz em volta alta. Não és capaz. Ela não usa "esse tipo de linguagem". Foge das palavras. Como da vida. 18 anos preso, 18 anos fodido. E o outro que se atira da janela mas, bolas, já ninguém tinha paciência para as conversas, se tanto, daquele sujeito. Fodidos estão todos, diz ele.
Sabes como é. Um dia olha-se à volta e não há volta.
baseado na peça ATÉ AMANHÃ, de A.Branco
Todos falamos. Nem todos sabemos utilizar as palavras. Tu usas e abusas da língua, e essa tua magia faz-nos viver. Obrigado Belíssima (you know who =) )
ResponderEliminar