quarta-feira, 25 de setembro de 2013

TIMBRE

Este texto está inserido num folhetim publicado em setembro de 2013 pelo jornal académico Os Fazedores de Letras


Que penso de ti? Conseguiste humedecer-me no serviço veterano de encenações horárias. Construíste a escada em caracol porque a luz que vinha de fora era incapaz de nos denunciar. Telefonaste-me e houve morte em mim. Obrigada. Arriscaste-me muito ao escrever a história contínua, sempre de olhos cerrados. A morte de um escritor, esse, com fastio de leituras antigas (se quero dançar?). Desafiaste-me para a cama e esperaste roubar-te alguma coisa no segundo andamento. Tiveste de pôr o cartaz de fora e perguntaste notícias de Portugal (tu não és patriota…). Respondi adequadamente, talvez me queiras consolar. O meu pescoço magro escorreu em ameaça. Estendi-te o maço de cigarros, fizeste que não e chamaste as vírgulas mal postas. Mas eu sou que nem o timbre, não sei que fazer.