Este texto está inserido num folhetim publicado em setembro de 2013 pelo jornal académico Os Fazedores de Letras
Que penso de ti?
Conseguiste humedecer-me no serviço veterano de encenações horárias.
Construíste a escada em caracol porque a luz que vinha de fora era incapaz de
nos denunciar. Telefonaste-me e houve morte em mim. Obrigada. Arriscaste-me
muito ao escrever a história contínua, sempre de olhos cerrados. A morte de um
escritor, esse, com fastio de leituras antigas (se quero dançar?). Desafiaste-me para a cama e esperaste roubar-te
alguma coisa no segundo andamento. Tiveste de pôr o cartaz de fora e
perguntaste notícias de Portugal (tu não
és patriota…). Respondi adequadamente, talvez me queiras consolar. O meu
pescoço magro escorreu em ameaça. Estendi-te o maço de cigarros, fizeste que
não e chamaste as vírgulas mal postas. Mas eu sou que nem o timbre, não sei que
fazer.