terça-feira, 13 de agosto de 2013

acenda-se velas.


(em Repitam a seguir a mim, 2011)



Corria o ano de 2009 quando nasceu o Grupo de Teatro Telhado de Zinco Frio, instalado no sempre quente/sempre frio sótão do Liceu Camões. Um grupo de jovens, poucos, juntavam-se a uma actriz com A grande para, em conjunto, levar temas e discussões à escola. Vieram várias aulas, encontros, desistências, triunfos, gargalhadas, risos, choros, atrasos, atrasos e muitas, muitas palmas. Em 2010 o Grupo presenteou a comunidade escolar e arredores com I, You, She, Together, inspirada no hino madonniano, em que "não me interessa que sexo tens". Com referência a filmes, músicas e textos, o Grupo mostrou, logo aí, uma forma diferente de "pegar" no material e de o apresentar. Esta é talvez das características mais salientes deste grupo. Os actores/alunos não se maquilham. Estão vestidos de preto, cor neutra, durante os ensaios e as apresentações. Fazem uso de candeeiros lá de casa, das panelas, das pipocas, das tendas de campismo, e levam vida àquele sótão sempre quente/sempre frio/sempre poeirento. Em 2011 foi a vez de Repitam a seguir a mim, um nome curioso e que saltava a cerca numa das primeiras cenas, ou sketches, da apresentação: uma oração em torno dos bebés que nunca chegaram a nascer. Os actores, três raparigas e um rapaz, sentados à mesa. Havia ainda Abel Neves, e o drama da miúda que não podia matar gatos (ou seria, na verdade, outra coisa?), da declaração de amor inesgotável antes da porta bater ou a promessa de uma revolução em paralelo com um quadro em slow-motion, ao vivo, com os actores, novamente à mesa, de volta de um balde de pipocas (pipocas essas que fizeram as delícias do público no final do espectáculo). Porque o teatro é transformar e debater, o pano não caía. Os actores levantavam-se e convidavam o público a conversar. Perguntas, questões, beijinhos, palmas outra vez.

Mas isto foi em 2011. Foi a última representação do Grupo. Agora o Telhado de Zinco Frio, após uma longa pausa condicionada por cortes, atrasos, burocracias, quer voltar, seja de que forma for. Para isso, precisa de pessoas activas, que queiram trabalhar, fazer teatro ou, como dizem eles, "zincar".

Da minha parte, não tenho dúvidas. É-lhes merecida essa oportunidade.

(facebook do Grupo aqui)

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