quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

(nome)

desconhece-se a autoria da fotografia. estava perdida na gaveta fechada há anos naquele cubículo de formas arrendondadas sem vida. era a preto e branco, ainda se lembra, e tinha o mar por trás, ou era jardim?, qualquer coisa com vida. há tanto tempo não abria a gaveta que a julgava perra, sem movimento nem força para deslizar os pequenos cinco centímetros que fossem, onde coubesse uma mão pequena - a sua - que, entrando naquele baú escuro de recordações, desenrolaria círculos infindáveis na busca daquele papel. 

o ano é de 19... e mais não se percebe. podia-se tentar adivinhar mas imaginemos que ficava-se muito longe da realidade. isso não podia ser. não podemos dar datas às coisas que não conhecemos. ou melhor, datas falsas. ou, por outro lado, não devemos dar datas a coisa nenhuma.

a autoria, essa, faz subir o cordão da humildade. essa tem que aparecer, nem que seja num cantinho, à margem, quase envergonhada. mas, lá está, desta fotografia ninguém sabe.