Não sabe se é do vento que teima em inspirar, se é das partículas de pó que se amontam no lado esquerdo da cabeceira do quarto onde já não dorme. Os móveis permanecem no mesmo sítio, a escada em caracol perpetua-se numa tentativa de chegada ao céu, a cama velha e com mantas gastas, as molduras com retratos cheios de cor esbatida. Os livros, sempre os mesmo livros. Já não compra livros, habituou-se a frequentar a biblioteca da cidade, a única, e pede os mesmos livros que tem em casa. Patético. Mas ele não sabe ler. Isso não importa.