Levanta-se a custo do sono pesado; a água aquece no fervedor e cheira a infâncias perdidas em anos temporários. A mão lembra aquela vez em que o aconchego dos temporais servia para alinhar os corpos em conjunto, para saudar a família dispersa e acumular os sonhos, porque a vida ainda era os anos todos que faltavam vir. Na minha alcofa já só há ar, o corpo sumiu-se na oxigenação dos dias; as pernas doem-me em dias de baluta e esfrego os olhos, sempre à mesma hora, para lembrar aquele sono. Aconchega-me e vejo o fervedor, caminha para ele. Não o alcança, já não existe.