sexta-feira, 5 de outubro de 2012

ir a Roma


A face baloiça ao ritmo do bater nervoso da sua perna esquerda. Enrola as pontas do cabelo apanhado como se rodasse moedas de um cêntimo. Os seus olhos assistem a um filme que fala de homens comandados por homens, quase marionetas. Mas a sua cabeça já está longe. Está num lugar onde não existe muito mais do que um chão de madeira e pequenas estrelas de felicidade. E por mais que procure, ela não encontra espaço onde possa colocar o seu amor. Talvez porque não o seja e esteja apenas a confundir o significado de uma palavra que, recentemente, se tornara tão banal. É, o amor já lhe parecia uma junção de letras ao acaso e, convenhamos, ridícula. Preferia, dizia muitas vezes, o seu inverso. E ir a Roma.